domingo, 26 de setembro de 2010

Cumprimente as pessoas!



Olá pessoas!
Sou um ser manipulado. Completamente enganado
Pela sociedade que não me leva a nenhum lado.
Sinto um vazio na alma e ando a vaguear na noite calma
Ouço no segundo andar alguém que dança
E no meu corpo que balança sou um emigrante em França
Emigrante errante que conduz sem a mão no volante
De camisa arregaçada! Olhos que estão cansados.
Reparo em casais de namorados! Que namoram sossegados
Desvio-me deles e passo rente à parede.
Dez badaladas tocam na igreja.
Tiro do saco uma cerveja. Lata que me mata a sede
Pão sem côdea. Miolo que desfaço na água da chuva
Café que não aquece Porque bebe água como os animais
Estou ainda longe e já estou cansado.
Tenho saudades da família e navego num pensamento que me causa vácuo
Sonho não realizado que me mata a esperança
Tenho medos que me envia para longe
Sou uma triste marioneta que trabalha numa cozinha
Condenado à escravatura! Sem um acto de bravura
Prometeu-me o céu .E deu-me o Inferno
Que queres tu além disto?
Tento fugir do engodo. Mas não consigo
Agora não tenho nada. Vivo na miséria que me agarra
E não quer se afastar de mim
Nunca conheci ninguém que fala-se comigo
E por isso vivo este castigo
Tento fingir de um sol que me assombra.
Não tenho quase nada para comer. E o que tenho já está perto do fim
Gigantes que me assombram
Ignorância de uma viagem! Caminho sem uma margem
E por o Tamisa que me avisa e me guia.
Ouço vozes que me avisam e sussurram
Fecho os olhos e sonho.
Na luz da noite vejo os piratas que me roubaram
E no berço onde me embalam
Sorrio por fora e choro por dentro
Na penumbra da noite que me conduz.
Vejo o navio que acabou de zarpar
Sinto que sou uma vela sem pavio. Sou uma figura tola
Noite que sinto frio! Vejo a água que escorre dos beirais
Pensamento que lamento. Fogem os pardais
Sinto a distância de um amor que se foi embora
Nos bolsos já sem dinheiro. Sem tabaco e com olhar de louco
Vivo no esterco de um palheiro. Condição animalesca
Vida de príncipe sem reino
Perde o trono e um país inteiro
Rastos de solidão parto em sacramento. Vivo triste e ao relento
Acordo sem nada ao meu lado
Vejo os telhados de um tesouro e tento fugir da vergonha
Sem nada para perder peço a ti que me deixe morrer
Estou só. E este é o meu fim!
Sou uma marioneta que perdeu a linha de vida
Fim do jogo. Inicio de uma nova partida
Olá Marioneta!
Olá Pessoa!
@BomNorte2010

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