sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A minha música termina no Verão e em Carnide



Estou inspirada e em harmonia com a natureza
E pelo dom que Deus me concedeu
Tão forte é o meu tocar. Que o teu rosto alcança
Estou triste. O amor não me corre de feição
Que vergonha. Treme a minha mão
Mas sei porem que o mar é meu amigo
E amar-te é o meu castigo
E por entre as cordas que faço gemer
E a musica que o meu corpo embala
Estou sentada sozinha Bem longe da estrada
Longe de todos e do caminho
E por entre a erva que o meu corpo rebola. O meu pensamento está longe
Pode o céu ser a minha meta. E a música a minha nau catrineta
E no meu cabelo que a pena suporta. Os meus olhos brilham de incertezas
Pombos que cruzam os céus e pombais que abandono
O seu a seu dono! Eu sou um maestro sem orquestra
Toco para os coelhos e por entre a folhagem
Vivo por entre a miudagem. Que persegue a minha miragem
Perco o tempo e volto atrás. Sei que me estás a ver
Ouço o chorar da terra empurrada pela areia que o vento sopra
Passos que por entre compassos ouço e sinto não preciso de te ver
As pessoas que passam ouvem a musica que toco.
Belo compasso!
Os passos ouço-os ao longe e discretos para não me assustarem
E pela água que jorra no chafariz. Sangro agora do nariz
Balouço o meu corpo e o beijo que nunca me foi dado
É como um tormento de um tempo que já foi embora
Tenho a bicicleta por companhia. Desprezo a civilização
E por entre a musica que toco. Ouve-se a minha barriga que sofre
Momento que se perde na distancia
De um amor que eu choro e por um tempo que o meu mundo perdeu
Espero o tempo que já não é meu e pelo caminho já frio
E por o verão que termina. Alcanço o Outono
E choro pela estação que vai embora
As folhas já voam e de cor castanha se querem pintar
O verde abandonam e as arvores ficam nuas
Parecem um barco sem rumo que transportam a tempestade
Caiem em mim e deixam-me com a verdade
Mato a sede e por a música que toco e por entre o sofrimento que transporto
Toco só para mim e na minha imaginação ouço uma orquestra que me acompanha
Sonho que me permite assim viver.
Lucidez que não quero perder.
Fico em harmonia e com a minha companhia que não quero perder
Não olho para ti mas fico a pensar
Olho de lado e consigo distinguir a mentira da verdade
E no edifício que hoje demoliu o meu amor partiu
E eu fico com a sua voz que me faz companhia
E o teu amor vive dentro de mim.

@BomNorte2010

Sem comentários: