segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A moeda perdida



A moeda perdida

Todo o verso tem um reverso
Mas eu tenho uma pedra no sapato
Passas por mim. Segues o teu caminho e eu estou aqui
Abandonado e sem dignidade
Esquecido e sem contar a verdade
Fiquei longe? E vivo assim?
Volta e olha e podes sentir a voz do teu coração
Não reparas em mim!
Sentes nojo! Causo impressão!
Há quanto tempo estou aqui?
Abro a porta e percorro o quarteirão
Busco o chamamento e percorro as ruelas
Vasculho os caixotes à procura de agasalho
Leio as revistas descoloridas
Memorizo as fotografias
E choro de vergonha
Olho as janelas e revejo as imagens
Números letras e goteiras
Degraus, sarjetas e portas com bandeira
Janelas abertas e plantas que florescem
O sol aquece o chão que serve de tapete
No olhar de uma criança vejo um chamamento
Dói-me a barriga! Não como nada!
Comida abandonada impossível de ser tragada
Separo os ossos e como a pele
A carne já não tem sabor! Está pobre e cheira mal
Tal como o meu corpo ao abandono
Passas no passeio! Revejo a tua imagem
Esperas sentada na paragem
E na noite de tempestade
Lanço-te um beijo que não te alcança
Seta desviada por não ter sido afiada
Por favor eu sei quem tu és e o que sentes por mim
Espero que sempre seja assim.
Uma guitarra geme e clama por mim
Acordes que toca. Sentimento que exprime
Uma voz canta uma canção só para mim
Os copos cortam o ar e chocam entre eles
O liquido que derramam
É o que resta de um amor
Esqueci e fiquei assim
Porque tem que ser assim?
Por ser um Amor. Não pode ter fim?
Eu acho que sim!
Haja o que houver eu sou assim
Espera aqui por mim e eu sei que serás só minha
E mais não faço porque estou sem ti
E pelas ruas que se cruzam com outras ruas
Elevam-se vedações que nos impedem
E se um dia nos encontrarmos os dois
Eu voltarei a pedir por favor
O teu Amor! Porque!
Eu sei quem és!
Haja um milagre ou uma revolta
Espero sempre por ti!
Olho a paragem e espero a tua imagem
Vens acompanhada
Triste me deixas-te e no punhal que me apunhalas-te
Deixo de fazer proezas e vivo as incerteza
Deixo a terra e olho mar sozinho
E pelas ondas que vejo à distancia
Deixo o meu corpo chorar
Por uma tristeza que não parte agora
Vivo marginalizado!
Mas não sou drogado! Nem maltrapilho
Sou um atormentado, desprezado
Que sente o isolamento de uma vida em vão!
É o que resta de um amor desfeito
Pinta o pintor o retrato
E de um sonho que não resiste
A tua imagem que marca a diferença
Vivo a tristeza de uma imagem que se foi embora
E de um céu que me abandona agora
Fico à porta do inferno que me queima a alma
Solução que me resta navega pela solidão
Trago a roupa que me sobrou e o vinho que bebo sozinho
Está frio! E fico sem renitências e num mundo que jogou fora
Sou um eterno suplente numa equipa já completa
E das velas que dão luz!
Pego fogo à saudade e pelas labaredas que me escapam
Vou longe e vivo enfim!
Não quero o céu para mim.
Tenho a garganta seca quero beber e por fim esquecer
Viajante errante que sou. Parto e não quero voltar
Alugo o espaço. E deixo-me cair e parto a sorrir
Já arranjei um sítio para onde fugir
Cobarde!Cobarde!
Que querem!
Sou assim. Sou fruto de um erro.
Que me coloca entre a espada e a parede
@BomNorte2010


   

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