terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando um homem Ama como uma mulher


Os meus erros são o meu desespero.
Luto contra a natureza que transforma alguma alegria em muita tristeza
Acordar de uma agonia.
E adormecer numa cama vazia
Simplesmente perco a magia, já não sinto necessidade de respirar
Amar! Deixei de amar por culpa da sociedade que me condena e me amordaça
Sou alguém preso a uma identidade.
Alguém escondido e envolto numa carapaça
Lança uma chalaça mesmo sem graça
Ouço juras falsas de amor.Sofro abandonado
A verdade é dura e assumir nunca é a melhor solução.
Sentimento feminino inadaptado e manipulado num corpo masculino
Ser amado por todas as mulheres e ser ao mesmo tempo a amante de todos os homens
Tento criar filhos que não foram por mim concebidos
Mãe de um bebé que alguém gerou. Vergonha que sente e o abandonou
Viver agredido num corpo transformado e totalmente torturado
Manipulado e sem consciência mais vale ser do que parecer
Estou amarrado a um corpo que não e o meu
Vitima da cirurgia que vai desaparecendo por magia
Difamado. De rosto escondido por uma máscara
Zorro da sociedade ocultando a verdade.
Por vezes perco a minha identidade
Descobrem a verdade que eu tento esconder
O meu nome é divulgado em tudo o que e parede e muro
Fecham-se as portas que eu empurro
Amo como uma mulher.
Diferença que marca a minha vida
E por entre os teares que o artesão cria a arte
Escondo com tristeza a minha malvada sorte
Crivo o meu coração com dores que me marcam e me sulcam
E da mais nobre seda alguma vez criada. Nasce uma vida crivada de espinhos
Decadência e absolvição elo separado à nascença marcado pela diferença
Saltimbanco de identidade que me rouba a verdade
Sou um Cristo que não existo mas que sofro em silêncio
Tenho medo da verdade que se assemelha ao medo que o diabo tem pela cruz
Caminho por caminhos escuros refugiando-me da luz
Ajoelho-me em frente ao altar onde eu rezo.
Peço a Deus que me guarde um segredo
Segredo que eu nunca irei revelar.
Vou mudar de nome.Sou uma identidade sem vida
Vendo o corpo na avenida.
Amargo é o meu doce. Salgada a minha pele
Despeço-me da realidade e por entre as silvas e os espinhos
Sigo os rastos. Abro caminhos. Tento a absolvição
Nos sulcos da calçada. Que os meus saltos crivam de torturas
Vivo momentos de prazer. Dou-me com outras culturas
Quando um homem ama como uma mulher
Amargo será o meu doce.
Salgada será a minha pele
Travesti que se veste da maneira que demonstra
Roupa que oculta a sua verdadeira identidade.
Vive a mentira e oculta a verdade.
Dá-se mas não se mistura.
E vive um mentira que dura.

@BomNorte2010

3 comentários:

Maria Sementinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Sementinha disse...

Parabéns pela sua sensibilidade e bonita escrita :-) todos os homens deveriam ter só metade da sua visão da realidade, obrigada.

Lisa disse...

Mais um texto que adorei :-)