terça-feira, 5 de outubro de 2010

Homens que se tornaram Feras.Que cresceram e criaram guerras.



Ontem sonhei com escravos. E acordei assustado
Sonhei com Faraós e pirâmides em construção
Capatazes capazes de tudo. Gritos e corpos cansados.
Existia um pêndulo pendurado a um cabo que oscilava na direcção da multidão
Corpos cortados e olhos vazados. Sangue que corre em golfões.
Roupa empapada de suor misturado com o pó do sofrimento
Lá fora a gente agrupada à frente da escadaria vomita para cima dos guardas
Guardas que marcam a distância. E vivem na ignorância que o sistema programou
Capitão que profana a sepultura de uma homenagem que já não dura.
Frio que o quente transformou num corpo que chora.
Rosto meigo de uma criança. Que transforma o barro com as mãos.
Peça vendida num país socialmente correcto. Preço regateado até ao cêntimo
Escravo sem dono. Trabalho às centenas com preço de unidade.
Corpo sem vaidade. Que grita em silencio.
Se houver alguém que me salve e me leve para o pé de ti?
Que venha! Tenho a mala já feita.
Estou só. E não quero estar sempre assim.
Cruzando o meridiano temporal em que o homem se transformou.
Sei que o mundo é assim!
È obra de um homem que governa um mundo imperfeito
E hoje sinto que pedalo numa pista sem fim. Sem multidão.
Brisa pujante vento do Norte. Vento que me dita a minha sorte.
E amanhã será um outro dia. Nada mais.
Debruço-me sobre a bilha de água fresca que me refresca o meu caminho
Por entre as coberturas alvas que se recortam sobre o céu azul.
Fujo do diabo que me possui. E destruo quem tu és.
Prometes que será diferente. E esqueces o passado.
E eu continuo no meu passo pesado.
A tentar salvar e a remediar o mal que está feito.
Sou um campónio que aduba com amónio e luta contra o demónio.
Desfio o mal e teço tapetes que estendo por o mundo na derradeira tentativa
De acabar com a escravidão.
E nas casas rasteiras com o chão em terra batida. Escolho o local da partida.
Somente me resta escolher o local para viver e o local de chegada.
Sou um vagabundo coberto de ramagem que vive à margem da sociedade.
Aplico e suplico por um ponto final trágico. Com que teimo este texto terminar
Mas. No meio de tanta súplica, termino este texto com a introdução de mais uma vez
De um ponto final trágico.
Para uns esse ponto é unicamente traiçoeiro.
E para outros é um ponto simplesmente mágico.

@BomNorte2010

2 comentários:

Anónimo disse...

BN. O seu username é muito positivo: Bom Norte.Por isso, só pode estar no grupo dos pontos mágicos. Eu não sei se estou mas tenho a certeza que quero estar e isso só por si é uma garantia contra o oposto.
Então amanhã vamos conversar um bocadinho?

eu disse...

Bom dia para si. E obrigado por o comentário