terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Marcha Nupcial é tocada aquando da minha proximidade




Os Corpos amontoam-se ao longo da vedação junto à estrada
Formavam entre eles uma tríplice cadeia.
Aguardavam ansiosamente a minha chegada.
O espectáculo servia para reanimar os seus desejos extintos.
Já o povo dava como certo este matrimónio.
O noivo foi possuído pelo demónio.
Casamento de Santo António? Claro que não
È publicidade!
Que vive em cumplicidade aqui na cidade
Rápidos traços que povoam as nossas mentes.
Cartazes salpicados imagens de cor vibrantes.
Um atrás! Outro mais adiante
Aqui não existe somente o apelo ao consumo!
Também existe arte!
Urbana. Plena de interesse. Inconstitucional
Uma faz bem! Outra faz mal!
Farto de ver morrer os cartazes que rolam como flocos de neve para o chão
E farto de uma abstinência escrupuloso.
Penso fazer uma maldade.
E em favor da verdade. Avanço com a minha mão. E arranco-os todos para o chão.
Rio-me como um perdido. Sei que estou sentido.
Talvez um doido varrido!
Fui somente uma travessura que um tempo incerto cura.
Limpo a cidade de sujidade,
Removo a mentira e mostro a verdade.
Verdadeira marcha nupcial.Que toca incessantemente
Nem faz bem!
Nem faz mal!
Sou um diplomata inflexível do tempo.
Voo contra o vento e isolo o turbilhão que se sente nesta cidade
Hoje é o derradeiro dia em que a noiva desce à cidade
Perante esta súbita revelação.
Não poderia deixar sem vos contar
Esta minha indignação.
De uma cidade despida
Que luta contra a vida.
E que eu limpo com a minha própria mão
Chegou a chuva!
A curandeira do relaxo
E por ela faço uma vénia.
E por respeito me baixo.
Viva a chuva! Viva os noivos!

@BomNorte2010

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