terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma pedrinha no charco



Sou uma pedrinha que vagueia no mundo
Um dia cai na água! E mergulhei bem no fundo
Vivo o meu dia-a-dia com verdade. Vivo numa realidade
Sonho muito! Sou uma pedrinha sem vaidade
Nunca fiz parte de nenhum continente. Sou apenas uma associação
Sofri altas temperaturas. Nasci de uma fusão
Não de uma fusão estatal! Porque essas correm mal!
Nem nunca fui pertença de ninguém. Sou uma pobre pedrinha
Sou o rosto de todos. E sou o rosto de ninguém
Sou até talvez porém? O lado cobarde da sociedade que se defende com a verdade.
Mas também sou aquele. Que se oculta por traz do rochedo!
Talvez por não querer ser conhecido? Talvez até por medo!
Pedrinha não preciosa. Mas até por vezes valiosa.
Chamada à urna para votos. È chamada de rainha
Depois dos votos contados é uma pobre pedrinha
Pilar da sociedade. Ostentação e vaidade.
Por vezes faço o bem! Por vezes faço o mal
Mas quando olho para traz para o período do Jurássico
Tremo até de medo e sou um neoclássico
Nunca nenhum escultor exigente de mim se enamorou
Sou uma pedra em decomposição que nunca fez parte do mundo da beleza
Nem nunca fiz parte da nação
Simplesmente sou um mineral. Uma pedra! Sou a cal.
Pedra pobre. Mole e quebradiça. Branqueia a sujidade ocultando a verdade
Pedra-pomes, ou um púmice que brota do vulcão
Que esfregas e branqueias a tua corrupta mão
Sou um material de aterro. Não sou uma obra de arte
Já foi também uma pedra que ateou o lume
Mas sou simplesmente um pedaço solto de rocha.
Por vezes sentes a necessidade de mudar o mundo.
Mas recusas a usar-me já está em desuso! Outros tempos! Que saudades
Perco as qualidades. Sou um pobre calcário!
Paralelo espalhado pela cidade uma obra de arte de 2ª criada para ser pisada!
Sou mármore de rara beleza. Mas um tampo de uma mesa.
Material nervurado com os vestígios de um passado e um brilho selvagem fruto da vadiagem
Entro na lista dos materiais que se expulsa do local. Material que já não faz parte da sociedade
Abatido sem piedade. Mas o que me torna vivo nesta vida sem sentido
É o relembrar do passado .
Mas de lembrança presente. Actualmente ainda sou!
Arma de arremesso e por vezes até meço.
Resolvo lutas e por vezes entro em linchamento mas não resolvo casamentos.
Sou uma luta de casais. Bandos eternos rivais
Sou divisível e por vezes invisível.
Sou uma pedra nos quintais
Sou um alvo a abater pela sociedade de consumo.
Sou fruto de um povo outrora guerreiro. Que enriquecia a nação
Actualmente sou um cidadão. Uma pedra que pisas no chão
Um milésimo de um duodécimo Um pedinte sem pão.
Sou uma fisga com elásticos de avião. Uma pedra que é lançada no meio de uma aflição
Mas a sociedade que tenha em mim atenção!
Serei um dia um retrato da nação esculpido num bloco que o canteiro sulca à mão
No meio de uma pedreira. Existe sempre uma pedrinha que rebola e empurra
E no meio de gente burra. Esmaga a avareza, aparece e concretiza
E desvia-se de quem o pisa. Promete e concretiza
As pedrinhas começam a juntar-se deixando os calhaus à sua mercê Deixam de servir de base de sustentação aos calhaus que começam a sentir-se abandonados e desamparados.
Está preste a começar a revolta das pedrinhas.
Chegou a hora dos calhaus pagarem pelos seus erros.
A Imbecilidade e a Degenerescência de uma nação mede-se pelo número de pessoa que acredita que amanhã o dia vai ser diferente mas!
Que nada fazem para a sua mudança.

@BomNorte2010

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