domingo, 10 de outubro de 2010

A Verdade é um resultado lógico.



Se a Madalena entra nesta casa, sairei imediatamente!
Corpo ausente, espírito presente
Desamparada e marginalizada.
Madalena está parada ao longo da estrada
Tem calma, pequena. Sentes que estás abandonada
Não sabes o que estás a dizer!
Tenho que dizer algo para a contradizer!
O mundo é mesmo assim. Vende carne para a refeição
De vítima tornaste-te uma empresária do teu corpo
Psssst! Olha vem ai um freguês.
Avias um. Avias três
Eles esperam a sua vez. Estão sem pressa, o tempo para eles não conta
Precisas de saber o que a tua irmã diz de ti
Ela é que talvez precise saber o que eu penso dela.
Conta! Conta! Adoro mexericos.
Eu vendo o meu corpo e vivo na rua. Sou Madalena mas não sou arrependida
Tenho sido sempre assim ela é a cera e eu sou o esfregão
Eu trabalho e penso nela. Ela pinta-se e mostra-se à janela
Mas a Madalena que ela conheceu. Morreu!
Morreu mas voltou a nascer
Reencarnou! Está a perceber!
Até que enfim que a Madalena acordou!
E o que sente da tua mudança?
Fibra! Coisa que eu não tinha. Era uma prisioneira como a minha prima
O silêncio apoderou-se de nós.
Ficando entre nós um silêncio pesado
Não tenha pena de mim.
Já não sou um produto.
Não sou uma carcaça de carne utilizável com um conduto flexível
Esta é uma história com veracidade.
Sendo a Verdade um resultado lógico.
Esta será sempre a minha história.
Levanta os dedos e faz um V de vitória
Voltou-me as costas!
Caminhamos os dois em direcções opostas
Mesmo assim ainda a ouço dizer para mim
Não quero viver com quem me roubou!
Quem se importou com os meus desgostos?
Madalena levava por diante a sua obstinada afirmação
Coitada! Conheceu cedo a sua emancipação
Vida de degredo. E de pecado.
Vive na noite que conhece a sua insónia
Vende o seu corpo num vão de escada
Negocio que se arrasta até de madrugada
Não a quero ver mais.
Não voltei a encontrar-me com ela
Sinto saudades dela.
Talvez um dia voltarei à sua procura?
Sim!
Talvez um dia

@BomNorte2010

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