quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Amigo do alheio


 Adoro o azul desse quadro pendurado à minha frente O verde da parede faz-me recordar a planície que inunda o meu quarto A mesa aguarda o tempo que teima em não chegar. O vento sopra e inunda os meus ouvidos com ruído mundano Verão, Outono, Inverno. Só a Primavera me faz abrir a janela Dois insectos lutam pela divisão de saque. Toché. Sofri uma estocada no coração. Quantos foram? Quantos são? As cartas outrora ordenadas, caiem rasgadas e espalham-se pelo soalho. As beatas amontoam-se e dividem o espaço, Fumei três. Resta-me um maço. As gaivotas assustadas, voam em círculos apertados, escondendo com as assas os olhos das suas crias inocentes. As jóias tornam-se bóias e ondulam nas vagas do mar nervoso. Tudo em mim é tensão, o nervosismo toma conta de mim Tenho medo de perder o que está perdido, e tenho horror ao sangue que está sangrando. Encontro-me perdido num deserto sem sentido. Queria uma resposta e deparo-me com uma porta. O fogo está circunscrito na lareira, e as cinzas ocultam a verdade, odeio bandeiras brancas oscilando num mastro que ainda mantém a raiz da sua terra O medo toma conta de mim, pareço um amontoado de vimes moles, tremo e não cedo ao medo. Começa o meu degredo, sei que não sou um corredor, mas torno-me um forte fingidor. Corro como um atleta, e percorro a rua deserta, torno-me amigo do alheio. A distância afugenta o medo que tenho de ti, fugir será o meu castigo Táxi. Nada de perguntas e tire-me daqui. Bom Norte


1 comentário:

Adelina disse...

Pois eu acho que é sim um valente corredor,e um corredor de fundo com grande resistência,a maratona de escrita que empreende prova-o,a fluência da palavra faz de si isso mesmo(um grande atleta das letras).