quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Charco


Em frente á minha casa existe um charco. Esse charco tem milhões de micróbios, códigos genéticos espalhados pela sua extensão. Dentro desse charco mora uma sapo Bicharoco satisfeito a quem eu olho com cautela Gordo e saltitante, coitado do animal outrora elegante. Está sempre a coaxar aos meus ouvidos, o seu som complica-me com os sentidos. Parece um músico de uma banda a soprar trombone, salta de nenúfar em nenúfar sem nenhum romantismo. Sente-se o arqueiro do abismo, animal convencido, de língua tipo bumerangue bilhete de ida e volta, com aspecto janota, parece um Brad Pitt envergonhado Será que ele está encantado? Tento-o beijar. Mas? Tenho medo que ele me sopre, por isso o encanto venceu o medo. Ele é o meu dragão encantado, salta para cima de mim, animal ciumento, que vive de paixões Bicharoco desavergonhado. Divide comigo as moscas que se entregam a ele sem relutância Sapo do nevoeiro, que vive num charco libertando vapor, Coaxa e encanta o arco-íris, guarda do seu charco, espera a chegada do carteiro, divide e separa a correspondência do charco inteiro Sapo sonhador, salta, vigilante irritante que me incomoda. Bom Norte

1 comentário:

Adelina disse...

Se o sapo"seu vizinho"pudesse ler o que escreveu sobre ele,não tocaria mais trombone ,mas ficaria era com um grande "trombone" e transformá-lo-ia a si em sapo.
(Já nem sapo se pode ser e viver tranquilo no seu charco encantado).
Mas...valeu às vezes há mesmo sapos inconvenientes,(e sapas também).