quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um sonhar na sua mão.


 Traz-me um sonho, traz-me a cura. Só o tempo acaba, e me deixa sozinha nos meus sonhos Queira um novo sonho, pois o antigo acabou. Nem aos meninos eu já me confesso, cerro os meus lábios e acabou-se O cavalo continua a correr nos meus sonhos, e o carrossel gira eternamente Os meninos traquinas encontram-se ainda nas esquinas, aguardam à vez. Está na hora de crescer. Que pena? O que faço aos sonhos por concretizar? A melhor cura para a doença é o sonho. A menina sonha, e a magia acontece O fogo está nos meus olhos. Corro à procura do meu sonho perdido Nada mais interessa para mim. Procuro, procuro e nunca mais o encontro. Amiga borboleta. Sabe onde o sonho costuma ficar? Se eu soube-se? Também sinto a sua falta, por vezes até confundo sonho com o pesadelo. A fuga agora é a minha dança. A saudade não cura e por vezes até mata. Saudade do que faz falta? Ou procura do que não tem? Não interessa se o azul é a cor do mar. Se a saudade não tem cor e dá cabo de mim. O sol tem uma cor que me chama, e as pingas de chuva refrescam os meus pés cansados Procuro. E mesmo entro em lutas e guerras, nunca pára de procurar. Um dia irei à lua. Sonhar é essa a minha intenção. Coloco a corda e o pneu atado que me serve de balanço, e por entre as arvores que me vêm passar. Imagino ser um pássaro é voar. Mas? A noite esconde-me o sonhar. E para mim não sonhar despedaça-me o coração. Tenho as peças de dominó presas na minha mão e imagino as pintas que me iram salvar. Sonhar. Parar por parar, pensar na alegria de ter o que não posso ter. No andar por cima do meu. O pianista sonha em ser famoso. Homem vaidoso. Acordeonista que não tem dinheiro para o piano de cauda, nem sabe se o terá Mas lembra-se do sonho que um dia sonhou. E canta uma cantiga que o castigou. Vive no meio da fantasia. E sonha, acaba com a melancolia. Realidade que começa, sonho que acabou. Bom Norte

1 comentário:

Adelina disse...

Uma leitura extremamente agradável,(não me canso de lê-lo),não é grave, diria ser desgastante pelo mistério,é porém(curiosamente) o mistério que conduz o poeta,então siga.