quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bom Norte o Anjo




Afio incessantemente o meu Machado procuro o gume perfeito. 
O metal cansado suplica. Pede para eu parar. O seu fio torna-se quase invisível.
A impassibilidade do mundo faz com que eu treine para ser herói. 
Os sons já não são os mesmos. E o machado corta, corta, deixa a sua lâmina ferir.
Deixa dor na ferida que não dói.
Não interessa as inúmeras tentativas falhadas pois no final as minhas mãos serão guiadas por um anjo.
A minha boca proclama palavras que me auto proclama um herói.
O aviso está lançado.
Basta! Eu somente quero ser reconhecido. 
Por isso guardo para mim os meus gestos que acabas por um dia conhecer.
Fantasias que me enchem de força e enganam os meus sentidos.
Me abanam de um lado para o outro lado, tento apanhar quem passa na rua.
Aguardo por um bater de assas, alguém que toque no meu coração.
Batimentos cardíacos, completos e aflitos. 
Sons que serão só meus, sons que me fazem voltar a nascer.
Sou um herói que se tornou um anjo. 
Sim? Encontrei o Anjo.
Estava na minha Igreja. E tinha as chaves na mão.
Tinha os olhos postos no céu. Lugar que já não é teu! Lugar que agora ê meu!
Troco de lugar com o anjo, abandono o meu lugar. 
Os meus olhos ficaram a ver, e o meu coração a bater.
O Anjo foi enganado.

1 comentário:

Adelina Ch.Trindade disse...

Eu gostava de ser escritor para saber e conhecer essa forma única de sentir o som dos batimentos cardíacos de quem me lesse!...
Que bonitos são estes seus anjos e heróis...(ou serão demónios?).