quarta-feira, 3 de abril de 2013


*Foto utilizada com o consentimento de Camilo Lourenço*. na construção deste texto. 

Embora o próprio Camilo Lourenço não consiga perceber o que é que esta foto tem de poético, eu, o escritor tentarei construir um texto para esta fotografia.
A cidade está cheia de tristes histórias, as meninas e as moças desta cidade mudaram à muito de trajes.
O castelo impuro das muralhas reconstruídas está zangado com o Tejo, virou-lhe as costas, trespassou-o.
A cidade está perto, mas no entanto está longe de mim.
Na vida custa saber viver, e por mais contas que eu faça, a prova dos nove está sempre contra mim.
Tenho vários zeros perdidos na bíblia que encerra as contas que nunca têm fim. São versículos quase Satânicos.
Contaminado pela tristeza o algarismo 1 sofreu um abanão, coitado juntou-se ao algarismo 2.
Actualmente vivem uma vida de loucura e esqueceram a paixão.
Sonham com a vida boémia que levavam, vida essa em que barraram caviar em finíssimas fatias de pão alentejano.
Miolo mole envolto por uma côdea rígida. Só me apetece amassar uma bolinha de miolo de pão e atirá-lo em contra a cabeça de certos senhores gastadores.
O espírito Português sempre presente na nossa vida. Patriotismo que me fez esquecer novamente o Hino.
Cedo a custo zero vendedores de bíblias e comentadores de Blá, blá, blá... a metro.
Poupar é como dar um aperto de mão: Tira-se a mão para fora da algibeira e aperta-se firmemente a mão do outro em condições.
Não se guarda dentro da algibeira reluzentes moedas de Euro para gastar à noite, colocando de lado míseras moedas de cêntimos dizendo que se vai poupar.
Sonho um dia em ser alegre, mesmo se vier a chorar todos os dias.
Viver bem não é ser totalmente feliz. Aliás, quem é totalmente feliz?
Talvez o infeliz! Pois tem a felicidade de o ser.
Bom Norte

*Jornalista económico e docente universitário.


Bom Norte 

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